Cidade de Lagos
Em Lagos tudo parece convidar à praia e aos prazeres simples. Mas também há uma história de navegadores e piratas, resultado de uma cumplicidade com o mar que persiste nas traineiras coloridas que trazem o peixe para a lota, ou na Marina onde balouçam iates de todo o Mundo.
Esta ligação ao mar teve o seu ponto mais alto nos séculos XV e XVI, pois foi em Lagos que o Infante D. Henrique armou as caravelas que alcançaram a costa de África, dando início à epopeia dos Descobrimentos portugueses, e de onde partiu Gil Eanes, o navegador que demonstrou que o Mundo não acabava no Cabo Bojador e que o mar não era povoado por monstros.
Embora erguidos sobre construções anteriores, são desta época alguns dos principais monumentos, como o Castelo dos Governadores. Ou as Muralhas da cidade e o Forte da Ponta da Bandeira que a protegiam dos invasores, sobretudo dos corsários, e que hoje em dia oferecem belos panoramas sobre o casario e o mar. Foi também em Lagos, sob as arcadas da Praça Infante D. Henrique, que se realizou o primeiro mercado de escravos da Europa, espaço agora transformado em centro cultural com exposições e venda de artesanato.
Mas há muito mais para ver. Num percurso pelas ruas do centro histórico descobrimos o encanto desta cidade secular, reparando nas cantarias das portas e janelas, nos ferros forjados das varandas e nos pátios que garantem a frescura no verão. Ou na Igreja de Santo António que nos surpreende pela riqueza do seu interior revestido de talha dourada e azulejos, a que acresce a curiosidade de a imagem do santo que lhe dá nome ter a patente de tenente-geral, promoção ganha por este templo ter servido de capela do Regimento de Infantaria. Ao lado, o Museu Municipal possui núcleos interessantes de arqueologia e arte sacra.
E não podemos deixar de nos deliciarmos com a sua gastronomia. O peixe e o marisco são os ingredientes principais de diversas iguarias: de petiscos com amêijoas, perceves, ovas ou polvo, de sopas e açordas, ou especialidades como os carapaus alimados e as lulas recheadas. Os doces são outro ponto alto, destacando-se os dom-rodrigos, receita das freiras do Convento de Nossa Senhora do Carmo.