Costa Vicentina
Designada por Costa Vicentina, a faixa de litoral entre a vila piscatória do Burgau a poucos quilómetros de Lagos e Odeceixe é um Algarve diferente, onde a natureza preservada tem um carácter forte e selvagem, que se traduz em paisagens de uma imponência deslumbrante.
Esta área faz parte do Parque Natural que começa mais a norte no sudoeste alentejano e que constitui a maior extensão de costa portuguesa sujeita a proteção e uma das mais belas e bem preservadas zonas do litoral europeu, onde nos sentimos parte integrante da natureza.
As praias sucedem-se, ora com areais extensos a perder de vista, ou mais pequenos enquadrados por grandiosas arribas de xisto e calcário. O mar, agitado, produz uma sinfonia natural, que serve de banda sonora a este passeio à beira-mar.
No litoral virado a sul, esperam-nos praias com ótimas condições para a prática de desportos náuticos. Para além do surf e windsurf, toda esta zona que integra as praias de Beliche, Tonel, Mareta, Martinhal, Ingrina e Zavial é ideal para mergulhar e explorar grutas submersas e reentrâncias rochosas cheias de vida marinha. Em Salema e também no Burgau, encontramos outras praias pitorescas em que a longa tradição piscatória ainda está bem presente.
No limite desta costa fica situado o Promontório de Sagres o extremo sudoeste do continente europeu que parece avançar sobre o oceano e que na Idade Média se pensava ser o “fim do mundo”. As vistas fabulosas sobre o mar imenso vão-nos deslumbrar. Mas este também é o lugar certo para saber mais sobre a história da epopeia marítima dos portugueses que começou justamente em Sagres, conhecendo a sua fortaleza, a Capela e a Rosa dos Ventos com 43 metros de diâmetro. No Cabo, destaca-se o farol que com um alcance de 95 km é um dos mais poderosos da Europa, tendo sucedido a uma luminária que no século XVI era mantida acesa durante toda a noite pelos frades capuchos.
Esta zona também é excelente para a observação de aves, especialmente em outubro quando aqui acorrem espécies vindas de norte em busca de paragens mais quentes. Mas noutras épocas do ano também podemos avistar outras aves como a garça branca, a águia de Bonelli e a águia pesqueira que está em perigo de extinção e tem aqui um dos seus dos últimos refúgios. Já se sabe que todas elas desaparecerão num ápice se notarem a nossa presença, pelo que é imprescindível respeitar o silêncio e caminhar sobre os trilhos.